terça-feira, 12 de abril de 2011

Os ombros suportam o mundo 
Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus. 
Tempo de absoluta depuração. 
Tempo em que não se diz mais: meu amor. 
Porque o amor resultou inútil. 
E os olhos não choram. 
E as mãos tecem apenas o rude trabalho. 
E o coração está seco. 

Chegou um tempo em que não adianta morrer. 
Chegou um tempo que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.

  
Carlos Drummond de  Andrade

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